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Por que meus colegas professores não costumam dar o bom exemplo de produtores de textos?

Não é de hoje que escrevo e sempre fiquei encafifada com o silêncio textual dos meus colegas, principalmente com relação à produção de material próprio.Muitos costumam apenas seguir a cartilha inventada por outros colegas, sem acrescentar nada de novo, o que é lastimável.
Quem trabalha com a educação das crianças e dos jovens aufere sem interrupções um sem número de informações da prática pedagógica- e não é possivel deixar de refletir sobre as constantes inferências obtidas nesse cotidiano junto aos alunos.Mesmo quando se convive com universitários ou pós-graduandos há uma quantidade abundante de temas que merecem a reflexão dos colegas professores. São acertos, inadequações ou contradições encontradas na prática docente e para onde vão , minha gente , todas essas informações?
Professores atentos conhecem as manhas dos alunos.Conversamos informalmente sobre elas com os colegas, mas dificilmente levamos esses temas como uma reflexão séria, tecnicamente analisada. A quem interessa não refletir?A muitos, certamente.Alguns logo pensam " dá trabalho" e outros mais pessimistas arrematam" não dá lucro nenhum".É pena, pois se levássemos adiante essas reflexões muitos males da prática docente seriam combatidos.Querem ver alguns exemplos?
1- Os alunos costumam dizer " O professor só manda, mas não faz o que diz."
A autoridade que nos é outorgada com um diploma deveria nos mostrar a responsabilidade da prática profissional, mas nem sempre fazemos jus a essa autoridade em sala de aula. É preciso sempre dar o melhor exemplo, sem esquecer de nos mostrarmos como seres humanos, falíveis, mas dispostos a reconhecer erros, " cochilos" e falta de bagagem teórica e reflexiva em determinados assuntos.Lá pelos anos 80, paralelamente ao curso de Letras cursei quatro anos de Psicologia - e mesmo não tendo concluido essa graduação, dela tirei boas "lições". Uma delas me ajuda a nomear a situação acima, queixa maior dos alunos: a falta de congruência.Essa palavra é forte, principalmente quando queremos checar se alguém faz o que prega, o que diz.Está ligada essencialmente à idéia de coerência, de equilíbrio nas atitudes, nas idéias que reverbera aos quatro cantos.
2- "Nunca vi o professor fazer uma redação em 50 minutos, enquanto de nós ele quer isso."
É costume imaginar que o tempo para redigir um texto é igual para todos.É uma ilusão. Muitos levam minutos, outros horas e muita gente dias e dias.É preciso primeiramente rever as etapas da escrita, analisá-las com vagar e propriedade, esquentando as boas condições lentamente, deixando a turma ciente dos pré-requisitos.Não adianta chegar lá na frente e sapecar um tema, sem vinculo com qualquer discussão anterior.Pobres alunos de colegas que agem assim, nunca escreverão com prazer e alegria...

Quero ver o meu colega escrever um texto, oferecido aos alunos como prática,no mesmo tempo real que a eles oferece.Duvi- de- ó- dó. É preciso mostrar se é possível ou não e medir esse tempo com base na realidade.Treinar , treinar e treinar e , aos poucos, inferir acertos, inadequações e estratégias para vencer as dificuldades.Essas atitudes possibilitam aos colegas o estabelecimento da congruência, da famosa "moral" diante dos alunos e o contrário é pura "conversa mole".
3- "Meu professor vive dizendo que preciso ler mais, mas nunca vi ele lendo um livro novo,tá sempre com o mesmo livro."
Colegas professores, de qualquer disciplina precisam manter a chama da curiosidade acesa. Condição de aprendiz é crédito diante do outro, principalmente alunos crianças e adolescentes. Quem lê, vive interessado por novidades mantém a chama acesa, o motor sempre engatado e está sempre ligadão, sintonizado, antenado com o mundo. Isso dá mais confiança aos alunos. Perceber no professor o interesse vivo pela leitura é o melhor exemplo para formar um conceito equilibrado sobre esse mediador do ensino de qualquer disciplina; e, em se tratando da língua portuguesa, essa exigência assume ares de lei e ordem, indiscutivelmente.
(Biblioteca Pública do Paraná, - aberta das 8h30 até 20h30,não fecha para o almoço e permite empréstimo de até 3 livros durante uma semana;não há desculpas para não visitá-la, pois funciona, inclusive aos sábados)
Meus colegas dirão: "(...) mas não tenho grana para comprar livros !"E a biblioteca da sua escola, e as bibliotecas públicas e a biblioteca da faculdade onde ele estudou, será que estão fechadas para empréstimos?Quando um aluno vê um professor fazendo um empréstimo de livros ou até mesmo passeando entre as estantes, examinando livros o impacto positivo que essa atitude causa é enorme, poderoso - e é tão raro ver colegas professores na biblioteca!!Não há desculpa, minha gente, para não ler e ficar antenado com as novidades. Eu não tenho dinheiro sobrando, vivo no aperto.Sou professora autônoma- e alguém já soube de algum caso de professor que fez fortuna, apenas exercendo o magistério? se souber , por favor, conte aqui! Tudo o que ganho é para pagar as contas- e o que sobra, quando sobra, é uma merrequinha.Descobri, diante das dificuldades para adquirir novos títulos e ler todas as revistas da semana, um jeito de ler, além dos empréstimos em bibliotecas.Sabe qual? Ir às livrarias de shoppings. Pego um café e fico ali lendo, lendo e apreciando os lançamentos e, se for possível, adquiro algum título.

Amanhã eu voltarei para comentar outras questões.Aqui em Curitiba o tempo chuvoso e a temperatura despencando exige a minha saida da frente do computador.Passarei a tarde inteirinha na Fnac. Quero examinar os lançamentos, especialmente "A relíquia", um clássico de Eça de Queirós, que ganhou versão em HQ - e se der assistirei na telona" Harry Potter e a ordem da Fênix".Quero conferir se o filme manteve significativa vinculação ao texto, pois a galerinha adolescente que lê centenas de páginas, sem obrigatoriedade alguma, certamente encontra sentido nesse famoso e invejado texto.
Escrito por Doralice Araújo às 11h55
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POR QUE OS PROFESSORES, DE QUALQUER DISCIPLINA,NÃO COSTUMAM REVER TEORICAMENTE O QUE ENSINAM ÀS NOSSAS CRIANÇAS E JOVENS?
Antes de entrar no tema da postagem de hoje quero compartilhar com os leitores a cena acima, que retrata o antigo e famoso Mercado do Ver-o-Peso, que fica em Belém, no estado do Pará.É de autoria do meu amigo Sérgio Bastos http://belemtemdisso.com.br , cujo talento ainda é pouco reconhecido na terra paraense- e também nas demais regiões brasileiras. Eu, quando morava em Belém, não conhecia o trabalho desse artista.Foi acessando as ORM http://oliberal.com.br que descobri a idiossincracia desse traço - e gostaria de apresentá-lo aos meus amigos leitores do blog.O Sérgio, além de traçar um perfil genuino da "alma" dos moradores de Belém realizou um trabalho exemplar, em auxílio ao ensino das primeiras letras,Saibam que ele fez uma espécie de alfabetário ilustrado.Um trabalho de verdadeiro mstre, mas que até hoje não encontrou apoio editorial. Adivinhem o tema desse alfabetário? As cenas da Belém de hoje- e de lambuja o meu amigo ainda versejou umas quadrinhas poéticas muito interessantes.Já vi o trabalho e lamento não ter dinheiro para fazer uma parceria com ele e fazer com que o seu alfabetário vá parar nas mãos das crianças paraenses.Infelizmente, quem dispõe de $$$ e pode agilizar a chegada desse precioso material nas mãos das nossas crianças, fica quieto, desconfiado- e prefere apostar em materiais didáticos "sem alma", que vendem apenas uma idéia importada de outros centros regionais.
A comodidade no ensino de qualquer disciplina escolar
Contar com um material didático prontinho da silva e apenas seguir-lhe as instruções parece ser a salvação da lavoura para muitos colegas.Muitos nem dão a mínima para as incontáveis reclamações dos escolares. Assuntos sem importância, desvinculados da vida real têm o poder de "desligar" as nossas crianças e jovens daqueles sedutores momentos de aprendizagem interessante, daqueles assuntos que nos incendeiam até a alma em decorrência da importância capital, movida pela novidade e senso prático que eles encerram.
Uma insubordinação feliz, recompensadora
Nunca gostei de adotar livros didáticos.Eles parecem ignorar o público para qual se destinam.Muitas vezes , no tempo que eu ainda morava e dava aulas em Belém, adotei tais livros, no entanto ficava embatucada com a ausência de sentido daquelas páginas escritas por quem nunca sequer conhecia a cidade ,onde tais livros eram adotados.Para resolver isso, um dia decidi dar um basta nessa dependência. Passei a coletar as redações das crianças e fui, aos poucos, compondo a partir desses textos que abordavam temas locais, um material voltado às aulas de "gramática e redação" que certamente eu teria no ano seguinte para ministrar.Essa experiência foi a minha alforria da prisão ao livro didático, mas ela me custou um preço: ser ignorada pelas distribuidoras de livros didáticos, além de uma certa antipatia dos meus colegas de disciplina. Eles não aceitavam abandonar a "muleta" que tinham, enquanto eu, meio doidinha pelas novidades apostei nessa estratégia. A escola onde eu trabalhava, mesmo sem acreditar muito naquela novidade, financiou a datilografia dos textos e mimeografou a quantidade de "livrinhos" que se formaram com as centenas de redações que fui coletando dos alunos, no ano anterior. Foi uma ajuda poderosa,sem dúvida. Esse material ganhou um nome, meio bobinho, mas convincente: " Redação não é bicho-papão".No ano seguinte utilizei esse material- e os meus alunos, logo no primeiro dia de aula receberam um exemplar desse livrinho artesanalmente feito.Foi sempre uma alegria ver nos olhos das crianças redatoras o brilho e o orgulho que sentiam ao perceber que o texto- base da nossa aula tinha sido da autoria e uma delas. Trabalhei, minha gente, o ano todo com esse sistema- e não foi sem luta que somei o apoio da gramática e do dicionário ao material produzido com o auxílio dos alunos.Ganhei a confiança dos pais e, principalmente ,das crianças e jovens que naquele trabalho de várias mãos encontraram o verdadeiro sentido da LEITURA e da ESCRITA em língua portuguesa.
Comodidade e Incompetência
As palavras acima determinam qualquer atitude docente. Todos nós gostamos da comodidade, mas ela nem sempre é a melhor companheira de um mediador educacional. Ficar preso à comodidade nos impede de ver outras facetas do trabalho docente.Ao contrário da maioria dos colegas professores ,ficar incomodada é extremamente saudável para mim, por isso sempre criei alternativas metodológicas e fugi como o capeta foge da cruz das receitas prontinhas , oferecidas pelos livros didáticos.Sinto-me hoje -passadas tantas décadas, desde aquela experiência dos primeiros anos no magistério - extremamente feliz com o que fiz e continuo a fazer. Arranjo apoio para ensinar a ler e a escrever, a partir de qualquer coisa. Podem ser panfletos, poemas, letras de música, receitas,fotos, classificados dos jornais, quadrinhos, textos de opinião, qualquer apoio textual sempre me dá a oportunidade de ver relação de sentido entre a prática da leitura e a da escrita. Basta apenas olhar esses materiais com a competência teória e , a partir desse olhar, articulá-los à teoria que subjaz nas várias funções da linguagem e na língua nacional. Faço "ponte" com qualquer elemento da linguagem e essa atitude me permite ficar autônoma, dona do meu trabalho, sem muleta alguma, apenas mediadora e desencadeadora de um sucesso com essas duas parceiras infalíveis: a leitura e a escrita.
Como sair da comodidade econquistar a competência teórica?
Para sair da comodidade é preciso sentir incômodos - e poucos abominam qualquer incômodo, enquanto muitos suportam dificuldades e entraves sem o menor esforço.Então, diante da falta de incômodos do professor, os alunos desfrutarão sempre das comodidades docentes.Sem reclamações dos alunos ou dos seus pais tudo fica na mais perfeita ordem.No caso da conquista da competência teórica é preciso desejar conhecer e manter aquela chama da curiosidade sempre acesa - e estudar sempre, pois quando nos mantemos na condição de aprendiz há sempre o que desvendar, conhecer, descobrir, mas para viver isso é preciso primeiramente manter uma lista de incômodos diários, a mola que dá o engate à busca por novas maneiras de aprender e de ensinar.
O meu incômodo está me trazendo uma parceira: consegui que uma professora de matemática ficasse disposta a escrever um livro comigo- e se esse intento chegar à prática contarei aqui, certamente.

Quero agradecer, mais uma vez, aos leitores que prestigiam, mesmo sem comentários, o que venho escrevendo neste blog. Incentivadores da minha escrita,eles se unem aos que têm me procurado como professora, felizmente.
Escrito por Doralice Araújo às 22h41
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PERGUNTAS INQUIETANTES

Por que sobram tantas folhas em branco nos cadernos dos escolares do ensino fundamental?
Minha filha está na 7ª série e estuda hoje em um conceituado colégio curitibano, mas já frequentou outras escolas, inclusive registra uma curta temporada na escola pública, quando moramos em Campinas(SP).Atendo muitos escolares do ensino fundamental e frequentemente peço que tragam os cadernos para examinar a regularidade das atividades de fixação de conteúdo, assim como a checagem da lógica que preside as informações teóricas relativas ao estudo da língua nacional- e fico, geralmente, decepcionada. Poucas anotações nos cadernos..., inclusive nos da minha filha e essa constatação marca o início desta nossa conversa de hoje.
Caso você tenha filhos, sobrinhos ou netos em idade escolar, por favor, peça para examinar-lhes os cadernos.Dê uma olhada bem demorada no caderno de língua portuguesa, especialmente.Confira a quantidade de folhas já preenchidas com atividades e faça uma contabilidade.Estamos com o primeiro semestre encerrado e , no mínimo, a metade da quantidade de folhas do caderno já deveriam ter sido utilizadas, seja para reescrever questões ou mesmo respondê-las, além de anotações teóricas e outros informes ligados à minha querida língua portuguesa, que ao lado da matemática, ocupam lugar de merecido destaque na formação escolar de uma criança ou adolescente.
Gostaria muito de saber como andam os cadernos dos escolares de vários lugares do Brasil. Será que os meus novos leitores, conquistados com a intervenção do Marcelo Katsuki e seu poderoso Comes & Bebes, poderiam auxiliar esta professora?Enviarei alguns convites expressos para que alguns respondam a essa curiosidade, no entanto a experiência que tenho assegura a necessidade de uma revisão dessa falta de uso dos cadernos escolares.Nossas crianças escrevem pouco, muito pouco - e isso não é incentivo poderoso ao sucesso com a escrita.

Uma experiência feliz - aquele velho ditado que diz "Santo de casa não faz milagres"é falso aqui em casa, aliás na minha Casa da Linguagem , o pequeno espaço que mantenho para acolher interessados nas oficinas de leitura e escrita. Logo que os alunos chegam aqui recebem um caderno , do tipo brochura, em branco - e ao longo das oficinas semestrais vamos escrevendo abundantemente.Muitos precisam receber um caderno complementar- e esse material também é distribuido os jovens vestibulandos, que aqui aportam em maioria. A estes ofereço 15 aulas e muitos, muitos exercícios e um abundante condicionamento à escrita.Alguns mais parecem livros, com resgate temático fartamente ilustrado com recortes dos jornais e das revistas, além de incessante produção de textos.
Tenho absoluta certeza que anualmente a cena vai se repetindo de casa em casa, onde tenhamos um escolar: no inicio do ano a compra dos cadernos e todo aquele ritual de encapar e identificá-los, no entanto às vésperas do encerramento do ano escolar esses cadernos nos oferecem a triste decepção de uma atividade não desenvolvida pela escola.Escrever com qualidade não significa escrever muito, entretanto escrever pouco é um atestado inconteste da ausência de uma vigorosa atuação docente voltada aos nossos escolares.Será que, na condição de pais responsáveis, deveríamos ficar de braços cruzados diante desse desperdício de material, de tempo e de possiblidades? Não creio.
No ano seguinte, nova compra de cadernos - e os do ano anterior? Ficam num canto do armário ou será que , ao menos, são reutilizados em alguma atividade caseira? Sou de uma família com poucos recursos financeiros e aprendi desde cedo a valorizar o pouco que recebíamos.Anualmente meu pai comprava resmas de papel almaço e costumava preparar cadernos para nós.Era um ritual: cortar a folha almaço ao meio, depois costurar, colocar uma capa( aproveitando imagens bonitas de flores, de animais, de paisagens, por exemplo).Era assim que os nossos cadernos se formavam, por isso hoje fico muito indignada quando vejo nossas crianças com cadernos cheios de sofisticações- e o pior com pouquíssima utilização das folhas ali disponíveis.Por que isso , minha gente? É preciso dar um basta nessa onda de aparências.
Por que os professores não adotam a reescritura como uma estratégia para rever as inadequações?

Sempre acreditei nos efeitos benéfico da cópia.Ela ajuda a melhorar a letra, além de outras vantagens ligadas à compreensão de um texto e quando descobri os efeitos poderosos da reescrita, fiquei totalmente certa de que nessa estratégia metodológica residia um grande achado da prática docente.Diante de uma inadequação, escrita da palavra, da frase, do parágrafo ou do texto, nada mais adequado do que indicar-lhe a reescrita. Exige tempo, eu sei, mas os efeitos são evidentes, por isso fico a me perguntar: ao corrigir um texto, uma prova ou qualquer atividade, se um equívoco ou erro é observado por um colega professor, por que não se utilizar da reescrita? Se adotasse essa estratégia como uma prática constante muitos males seriam evitados.

Aqui, ao produzir um texto, o aluno, antes da versão final costuma fazer um rascunho.À ocasião da minha correção, se por acaso constato uma inadequação, um "cochilo" qualquer ,ele já sabe que deverá reescrever o texto. Costumo , igualmente, orientar que faça versões diferentes do mesmo texto. Muitas vezes ao experimentar a produção dessas variações a moçada percebe que aprendeu a buscar à excelência- e nunquinha a perda de tempo.
Há anos venho adotando uma prática de sucesso absoluto: a elaboração de antologias manuscritas.O tema é variado, ao gosto do freguês;se gostar de música pode ser de letras das canções, se gostar de receitas, pode ser também, mas poderá conter poemas, coletâneas de piadas, de biografias ou qualquer tema, desde que todos os textos sejam anotados com esmero, capricho absoluto. Sabe qual o resultado dessa tática? No início uma leve aversão, mas depois um enlevo, um capricho danado de bom - e ainda exijo índice e dados ligados à fonte( autoria, data e local da publicação ).Essa atividade costuma levantar o grau de legibilidade, além de outros vantajosos acertos. É uma tática meio antiga, mas cujos efeitos colaboram com o êxito da moçadinha que passa sob a minha orientação.
As perguntas ainda não acabaram, por isso amanhã eu vou...

Escrito por Doralice Araújo às 07h09
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Mediadores eficientes da leitura
Segundo o dicionarista Silveira Bueno "mediador" é aquele que intervém.
A prática docente e as vivências na condição de filha e de aluna curiosa mostram a esta professora, sempre aprendiz, os rumos eficientes da mediação da leitura.Quer saber como? Pois bem, já explico através da listinha abaixo.Listas, vez por outra, são abomináveis, mas em algumas situações agilizam a compreensão objetiva do que se pretende analisar.

A figura dos pais
Quem tem ou teve a oportunidade de contar com a presença de pais leitores tirou a sorte grande.Por mais que essa influência nem seja percebida à época de criança, ver o pai ou a mãe - ou os dois - lendo com regularidade é um aditivo poderoso à formação do gosto pela leitura. Relembre como era a sua época de criança e revise se na memória ainda conserva essas figuras queridas absorvidas na leitura de um jornal, de revista ou de um livro - qualquer leitura, não importa. Leitores competentes não expressam preconceitos quanto ao que ler.O importante é ler, a seleção, as preferências são posteriores a esse saudável exame.
A presença de irmãos mais velhos

Sou de uma família numerosa:meus pais tiveram 11 filhos , portanto tenho 10 irmãos,além de primos que constantemente nos visitavam.Todos os meus irmãos gostam de ler,é claro,que uns mais, outros menos, no entanto todos agarradinhos à leitura.Sabe aqueles dias , meio preguiçosos na praia, ou dia chuvosos ou ainda ensoladas férias de julho( lá no norte do Brasil, de onde eu vim, é constantemente verão)? Pois bem, sempre havia momento para leitura.Reler as velhas edições da revista Seleções Reader's Digest era um costume familiar. As revistas de fotonovelas,as velhas revistas "Manchete" e "O Cruzeiro" ,assim como os quadrinhos do Donald"s que passavam de mão em mão, em deleite, em risadas e em concertadas indicações fraternas; todas, todinhas são inesquecíveis.Bastava que um dissesse "esse aqui é muito legal", para que a revista ou o livro circulasse entre nós. Irmãos leitores, filhos e sobrinhos leitores, isso é "batata".

A influência dos parentes
Se um avô é leitor é quase certo que a geração de netos seja igualmente leitora.Um primo, um tio, um parente distante, não importa, todos são potencialmente mediadores da leitura.Infelizmente não conheci meus avós, nem tenho quase notícias deles, porém o exemplo em casa não me deixa aqui conjecturando no vazio. Minha filha tem os pais leitores, avós,tios,tias e primos que adoram ler, por isso as suas possibilidades de sucesso com a leitura são enormes, abundantes- e a mesma situação enfrentam as dezenas de sobrinhos que tenho.

A companhia dos amigos
Muito já se analisou sobre a amizade e amigos, eles nos encaminham também à leitura - como encaminham....Quem duvidar disso nunca teve um amigo leitor.Nas conversas,nos encontros festivos conversa vai, conversa vem e lá , de repente, surge um comentário sobre leitura.É uma nota no jornal, é um livro recém-adquirido. Amigos nos presenteiam com livros e nos emprestam aqueles que admiram ou conservam críticas.
A figura do professor
Na maioria das vezes a mediação do professor é a única na vida de uma criança escolar,mas é preciso ser uma senhora influência.Um professor leitor é capaz de dinamizar o universo de conceitos quanto à leitura; ganham com essa decisiva atitude os alunos, os pais e a sociedade, por isso é triste, muito desolador dar de cara com alguém que tendo optado pela área de educação e ,ainda assim, não seja um leitor consciente de seu papel de mediador apaixonado pela leitura.
A presença dos colegas da escola

A vida no interior de uma sala de aula é uma festa.Será que alguém duvida disso? O bom,o interessante da escola,na ótica dos escolares, é o que se vive junto aos colegas.O cenário que propicia os encontros, as conversas, as amizades e as diferenças é a escola.Colegas de sala trocam informações, segredos, pequenas confidências, lançam modismos e fazem a maior propaganda do que leêm.Livros que "amaram" ou " odiaram" passam pelo estreito corredor da apreciação dos estudantes de qualquer série.Será que alguém duvida disso?
A influência dos jornais, revistas e páginas eletrônicas

Quem já conserva o hábito de ler costuma "olhar" os cadernos culturais contidos nos jornais.Vai em busca das indicações e palpites dos críticos, da turma que já leu ou ainda daquelas listas dos mais vendidos.Esses mediadores são poderosas alavancas, indiscutivelmente - e as revistas semanais, que trazem farta cobertura sobre as novidades editoriais fazem uma parceria eficiente com as muito lidas páginas eletrônicas destinadas à indicação de livros.
Escrito por Doralice Araújo às 10h28
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